terça-feira, 4 de junho de 2019

RELIGIÕES - 3º ANO ENSINO MÉDIO - GEOGRAFIA

Quais as maiores religiões do mundo e onde elas se concentram?


Em todo o mundo, oito em cada dez pessoas se identificam com algum grupo religioso. Para muitos desses devotos, a religião desempenha um papel fundamental na influência de todos os aspectos da vida cotidiana.
Diferentes religiões podem ser encontradas em todo o globo, embora as maiores religiões do mundo geralmente estejam em um dos dois principais subgrupos: as religiões abraâmicas (islamismo, cristianismo, judaísmo, etc.) e religiões indianas (hinduísmo, budismo, etc.).
Religião em números
Com base no Instituto de Pesquisas Pew e em outros bancos de dados demográficos internacionais, conheça quais são as 8 maiores religiões do mundo, sua história e regiões predominantes.
8. Judaísmo (13,86 milhões de seguidores)
Judaismo

Fundador: Abraão
O judaísmo tem uma longa e célebre história, que traça seus primórdios até o século VIII AC. Esta religião monoteísta originou-se no Oriente Médio e é composta de três ramos principais: o judaísmo ortodoxo, o judaísmo conservador e o judaísmo reformista.
Embora todos estejam enraizados em um sistema de crenças comum, eles diferem em elementos relacionados à interpretação das escrituras e práticas específicas.
As sinagogas, que são presididas por um rabino, servem como centros de culto judaico e serviços religiosos. Estas também são usadas como uma forma de centro comunitário, onde os seguidores podem se reunir regularmente para socializar, celebrar, estudar a Torá e aprender sobre as Mitzvot (mandamentos da fé).

7. Sikhismo (28 milhões de seguidores)

Sikhismo

Fundador: Guru Nanak
O Sikhismo é uma religião relativamente nova, fundada no século 15 no estado de Punjab, na Índia, e baseia-se nos ensinamentos de Guru Nanak e seus dez sucessores.
O livro sagrado desta religião é "Guru Granth Sahib", escrito originalmente no idioma Gurmukhi. Os princípios centrais da fé sikh são fundamentadas em sewa e simran, que se relacionam ao serviço comunitário e à lembrança de Deus, respectivamente.
Historicamente, os sikhs desempenharam papéis importantes na política regional e foram uma influência significativa durante a Partição da Índia em 1947.
Embora a maioria dos crentes continuem residindo no norte da Índia, ao longo dos anos muitos seguidores se mudaram para outros países, como Canadá, Estados Unidos, África do Sul, Austrália e Reino Unido, entre outros.

6. Taoísmo (93 milhões de seguidores)

Taoismo

Fundador: Lao-Tze (Laozi)
O Taoísmo se originou na China cerca de dois mil anos atrás, e atualmente a maioria dos seguidores ainda vivem em países asiáticos como China, Japão, Coreia do Sul e Vietnã.
Esta religião está associada à crença no oculto e no metafísico, e considera-se que um homem chamado Laozi foi o primeiro filósofo da religião. Ele quem escreveu o Daodejing, um texto central para a fé.
Em termos de questões políticas, os taoístas geralmente são considerados como sendo mais libertários, com preferência por governos que evitem a interferência política e a imposição de regulamentações e restrições econômicas.
A dieta desempenha um papel importante na filosofia taoísta, especialmente no que diz respeito ao bem estar físico e psicológico. Práticas como o jejum e o veganismo (abstenção de produtos animais) são encorajadas nessa crença.

5. Xintoísmo (104 milhões de seguidores)

XIntoismo


Fundador: Não possui um fundador conhecido
O xintoísmo é uma fé japonesa, e acredita-se que faça parte da vida religiosa no Japão desde o século VIII.
Os seguidores desta fé acreditam na existência de muitas divindades, e a própria palavra Shinto se traduz como “caminho dos deuses”. Estima-se que 80% dos cidadãos japoneses se dediquem ao Xintoísmo, existindo mais de 80 mil santuários no país.
Uma característica única desta religião é que os crentes não são obrigados a declarar publicamente sua lealdade à ela. Os conceitos de impureza e purificação desempenham papéis importantes no xintoísmo e seus rituais, conhecidos como Harae. Estes são realizados regularmente com o objetivo de purificar os crentes do pecado, culpa, doença e até da má sorte.

4. Budismo (500 milhões de seguidores)

Budismo

Fundador: Sidarta Gautama
O budismo foi fundado na Índia em 600 a.C. e baseia-se nos ensinamentos de Buda, também conhecido como Gautama Buddha ou Sidarta Gautama. A religião inclui dois ramos principais: o Budismo Theravada e o Budismo Mahayana.
Os principais dogmas da crença budista incluem a não-violência, a pureza moral e o comportamento ético. Essas crenças desempenham papéis importantes na vida cotidiana dos seguidores, assim como a meditação e o conceito de karma.
Atualmente, a figura mais reconhecida no mundo budista é Tenzin Gyatso, que é o 14º e atual Dalai Lama. Este ex-monge não é apenas o líder espiritual atual do Tibete, mas também um grande ativista pacifista.

3. Hinduísmo (1,1 bilhões de seguidores)

Hinduismo

Fundador: Não possui um fundador conhecido
A maioria dos hindus reside em países do sul da Ásia, como Índia, Nepal e Indonésia. Somente na nação da Índia, estima-se que 80% da população se identifique como sendo hindu.
Embora não se saiba muito sobre a fundação do hinduísmo, acredita-se que a fé tenha se desenvolvido ao longo de um período de cerca de 4.000 anos, e devido ao seu status como um antigo sistema de crença, o hinduísmo está profundamente enraizado na sociedade indiana.
Algumas práticas desta religião vem se tornando cada vez mais populares no Ocidente. Exemplos disso incluem a prática do ioga, assim como o interesse sobre o sistema de chakras do corpo (pontos de energia do corpo humano que podem ser usados para curar e melhorar a saúde, tanto espiritual quanto física).

2. Islamismo (1,8 bilhões de seguidores)

Islamismo

Fundador: Maomé
O Islamismo foi fundado em 610 d.C. pelo profeta Muhammad (Maomé), e os seguidores da religião acreditam que este homem era o profeta final do deus único, Alá.
A fé islã acredita que as palavras de Alá tomaram forma no livro sagrado do Alcorão, que ainda serve como o texto espiritual central na fé. A lei religiosa islâmica não apenas estabelece os Cinco Pilares do Islã, mas também impõe regras e regulamentos sobre quase todos os aspectos da vida de seu seguidores.
Existem duas grandes grupos de muçulmanos: os sunitas (que compreendem 85% de todos os muçulmanos) e xiitas (15% de todos os muçulmanos). Atualmente, o Islã é a religião que mais cresce em termos de seguidores em todo o mundo, e estima-se que até 2070 ele se torne a religião com mais adeptos.

1. Cristianismo (2,3 bilhões de seguidores)

Cristianismo

Fundador: Paulo, sobre os ensinamentos de Jesus
O cristianismo começou há mais de dois mil anos e é uma fé baseada na vida e nos ensinamentos de Jesus Cristo. Essa religião começou como um pequeno subgrupo que evoluiu do judaísmo, e cresceu para se tornar a religião mais popular do mundo, com seguidores a serem encontrados em todo o planeta.
Os cristãos acreditam na existência de um único Deus que enviou seu único filho, Jesus Cristo, para salvar a humanidade do inferno. O sacrifício de Cristo na cruz, sua morte e sua ressurreição, concedeu a vida eterna e o perdão a todos aqueles que aceitam à Cristo como seu salvador pessoal.
Seu livro sagrado é chamado de Bíblia, e é composto pelo Antigo Testamento e o Novo Testamento. Existem três tipos de comunidades cristãs: Ortodoxa Oriental, Catolicismo Romano e Protestantismo. Cada uma das seções possui diferentes crenças, pregações e tradições.
Mesmo em nossa sociedade moderna, o cristianismo desempenha um papel importante e poderoso, não apenas em termos de rituais religiosos, mas também político.

E quais são as religiões com mais seguidores em cada região do mundo?

Mapa das religiões

A distribuição geográfica dos grupos religiosos varia consideravelmente, apesar da maioria dos continentes ainda ter predominância católica, como podemos ver no gráfico acima.
Já a região Ásia-Pacífico é a que possui uma maior diversidade, com um número mais próximo entre hindus (25%), muçulmanos (24%) e pessoas sem religião declarada (21%).
Estima-se que 99% dos hindus e budistas do mundo se encontrem nesta região. Três quartos das pessoas sem religião declarada também vivem na região populosa da Ásia-Pacífico. De fato, somente na China há cerca de 700 milhões de pessoas sem religião.
Apesar da região do Oriente Médio ser a única que possui uma maioria muçulmana, que chega a 93%, apenas 20% dos muçulmanos do mundo vivem nesta região.
Dos principais grupos religiosos abordados neste gráfico, os cristãos são os mais uniformemente dispersos. O cristianismo é a religião predominante na América do Norte, América do Sul, Europa e na África Subsaariana.

Org. : Régis 
Fonte : https://www.hipercultura.com/maiores-religioes-do-mundo-mapa/


VIDEOS SOBRE RELIGIÕES 

                                              

                                               Cristianismo 





                                                      Islaminismo



                                                              

        Judaismo









quarta-feira, 22 de maio de 2019

Videos da 2ª Guerra - 9°° Ano



2ª GUERRA PARTE 1





        2ª GUERRA PARTE 2



                                             

segunda-feira, 13 de maio de 2019

TEXTO E VÍDEO - ORIENTALISMO 3º ANO - GEO


                   

                           Modernidade social e a contemporaneidade do "orientalismo’.

 Resumo: O texto é uma introdução à tese d’Orientalismo de Edward Said. Pretende-se demonstrar que a teoria política e social moderna era enraizada em perspectivas etnocêntricas. Em conclusão, argumenta-se que o discurso do "choque de civilizações" é um esquema explicativo intentando re-modelar e reformar o Outro, mantendo a contemporaneidade das representações coloniais.
Palavras-chave: Teoria Política Pós-Colonial; Modernidade e Eurocentrismo; Pensamento Social e Etnocentrismo; Colonialismo; Pós-Colonialismo

O legado de Edward Said para uma hermenêutica pós-colonial e não-etnocêntrica"Aqui, contudo, o pensamento burguês depara com uma barreira intransponível, posto que seu ponto de partida e seu objetivo são sempre, mesmo de modo inconsciente, a apologia da ordem de coisas existente ou, pelo menos, a demonstração de sua imutabilidade. ‘Portanto, já houve, mas não há mais, história’, diz Marx, reportando-se à economia burguesa. E esta afirmação é válida para todas as tentativas do pensamento burguês por assenhorear-se, pelo pensamento, do processo histórico" (LUKACS, 1960, s.p.; g. n.).

"A modernidade ocidental, dominada pela razão metonímica, não só tem uma compreensão limitada do mundo, como tem uma compreensão limitada de si própria" (SANTOS, 2002, pp. 7-8).
Temos por hipótese que o mito fundador da modernidade fez-se escorado na percepção arquetípica do Outro não-Europeu (e demais sociedades ocidentais), representando-o como seu antagônico extremo. A modernidade e iluminação do Ocidente radicaram-se nas imagens da sua contraparte, o obsoleto e obscuro Oriente. Portanto, a narrativa da modernidade baseou-se, sobretudo, na premissa iluminista e na enunciação universalista e unidirecional da "civilização", em disputa e antagonismo contra a barbárie. De outro modo, a feitura, no imaginário social ocidental de sua própria "civilização" impunha, como requerimento indispensável, a produção de sua contraparte, o Outro incivilizado. O colonizador faz com que o colonizado seja o seu reverso absoluto. O trabalho parte de uma premissa: "as ciências nascem e evoluem em circunstâncias históricas bem determinadas" (JAPIASSU, 1991, p. 66), de modo que "[o] conhecimento é, por essência, uma obra temporal" (Id., ibd., p. 68). Em idêntico sentido, Gaston Bachelard asseverou que "os valores ideológicos (...) intervêm na prática científica" (Id., ibd., p. 73), ainda que de modo inconsciente, por meio de operações psíquico-ideológicas.

Esse modelo binário-antagônico, do europeu como superior, tal qual delatado por Edward Said (1993; 2007), permeia toda a teoria social e (por que não?) as ciências humanas [01]. Karl Marx celebrava o avanço do mercado mundial e a universalização do sistema capitalista como uma forma de dissolver as formações econômicas dissonantes e modos de produção não-ocidentais, organizações sociais estas então descritas como primitivas. Em outros termos, tal contradição poderia ser formulada como o moderno (capitalismo) contra o antigo (não-capitalista) (SAID, 2007). O parisiense Émile Durkheim, ao apreciar formas religiosas não-europeias, empregou uma tipologia nada "neutra": sua terminologia qualificava-as como "primitivas", "caducas" e, finalmente,
"umas podem ser ditas superiores às outras no sentido em que elas põem em jogo funções mentais mais elevadas, são mais ricas em idéias e sentimentos, nelas figuram mais conceitos, menos sensações e imagens, sua sistematização é mais engenhosa" (DURKHEIM, 1978, pp. 205-206 apud PRAXEDES, 2008, s.p.).


Outro exemplo é Max Weber. O sociólogo alemão questionava por que, em territórios não-europeus, "nem o desenvolvimento científico, nem o artístico, nem o político, nem o econômico seguem a mesma via de racionalização que é própria do Ocidente" (apud HABERMAS, 2000, p. 3), implicando a contradição entre o racional ocidental e o irracional oriental. Portanto, o pensamento social moderno focou-se em uma suposta cientificidade contra as trevas da religiosidade - não uma religiosidade qualquer, mas edificou-se como uma estrutura ideológico-cultural contra aquelas não-cristãs/não-europeias e com um projeto político específico: facilitar a expansão do colonialismo (SAHLINS, 2000; SAID, 2007)

A constatação da heterogeneidade cultural foi seguida por um processo de escalonamento e hierarquização, tendo como ponto referente a sociedade europeia, com suas formas políticas (Estado-Nação soberano, de sistema democrático representativo e tripartido em competências e funções) e econômico-institucionais (livre-mercado escorado pela propriedade privada dos meios de produção e repartição de renda, produção e regime de propriedade e poder de acordo com classes sociais). Importa mencionar que o surgimento do Estado-Nação e a expansão colonial são circunstâncias históricas interdependentes. O conceito jurídico de soberania foi fundamental para criar a "dinâmica da diferença" entre o colonizador e o colonizado, estipulando uma distinção de forma política (concepção de Estado) e de culturas (ideia de Nação, formatando a palavra gemelar do substantivo Estado). Aqueles com a forma política descrita como superior, in casu,o Estado imperialista, criaram, posteriormente, a narrativa do direito à conquista do colonizado exatamente porque esse não era "soberano" – e não era soberano porque não era um Estado-Nação, em singular circularidade argumentativa (ANGHIE, 2006; MIEVIELLE, 2005). Finalmente, a interatividade entre o fenômeno político e o acontecimento econômico da colonização não pode ser descurado.

Essa ligação se explica com a iminente motivação econômica do colonialismo, a beneficiar-se de custos salariais reduzidíssimos na colônia (pela hiperexploração da força de trabalho) e da expropriação de terras e de matérias-primas. Finalmente, a consolidação do fenômeno colonial (ele próprio parte da engrenagem capitalista mundial) fomentou o capitalismo nas metrópoles: "O mercado colonial servia de alavanca para o desenvolvimento da produção mercantil das metrópoles, particularmente da produção manufatureira" (OLIVEIRA, 1985, p. 97). A circularidade do eurocentrismo com o sistema do capital também é relatada por Samir Amin. Para ele, com a necessidade contínua e expansiva de reprodução do capital em escala mundial, o sistema capitalista exigia o universalismo, já que, em abstrato-ideológico, não poderia conceber regiões e culturas diferentes como imunes ao seu alcance. Em concreto, a diferenciação econômica foi apropriada e hiperexplorada para melhor aproveitamento do capitalismo, apresentando o modo de produção europeu como o estágio econômico-social completo, desejável e o único possível, gerando o binômio centro-periferia [02], explicado pelo desenvolvimento desigual (AMIN, 1988).

A diferenciação intercultural, ao invés de servir para a tolerância, diálogo e vivência plural, deu-se sob os formatos da exploração colonial. Os conhecimentos europeus formaram um corpus analítico e descritivo do Outro permeado por estereótipos e figuras retóricas para assentar a supremacia geoeconômica e político-cultural do imperial, facilitando e permitindo o esbulho colonial. Essas concepções científicas/intelectuais, no mais, extrapolaram as limitadas guaritas das instituições públicas, da tour d’ivoire dos pesquisadores sociais e dos demais atores com poder decisório, chegando ao momento de ideologia do cotidiano. Assim, os enunciados orientalistas internalizaram-se no pensamento social contemporâneo, obtendo a posição de hegemonia cultural mesmo nas sociedades submetidas à exploração do colonizador. Dessa forma, "[a] descolonização do imaginário ea desuniversalização das formas coloniais do saber aparecem assim como condições de toda transformação democrática radical destas sociedades" (Lander, 2007, p. 2, destaque no original). Os homens e mulheres no Oriente foram percebidos ora como inexistentes [03], ora como dispensáveis [04] para a empreitada imperialista ou, ainda, como incultos/selvagens/bárbaros. É o procedimento de manufatura do ausente, como versado por Boaventura de Sousa Santos:"o que não existe é, na verdade, activamente produzido como não existente, isto é, como uma alternativa não-credível ao que existe. (...) Há produção de não-existência sempre que uma dada entidade é desqualificada e tornada invisível, ininteligível ou descartável de modo irreversível" (SANTOS, 2002, pp. 11-12).

VÍDEO SOBRE ORIENTALISMO


VÍDEO SOBRE ORIENTALISMO





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https://www.youtube.com/watch?v=W5R2uOoj9K8



A própria ideologia colonial, fundou-se na hierarquização cultural em uma estrutura de pensamento em que, para afiançar a superioridade do colonizador, é preciso transformar o colonizado em bárbaro (CÉSAIRE, 2000). Esse tratamento dispensado ao Outro, muitas vezes não se conforma em alocar a cultura e "raça" colonizadora em status superior, passando para além da inferiorização do colonizado (dialética do Superior-Inferior). É preciso mais: o colonizado é destituído do semblante humano e, ato contínuo, é desumanizado e "animalizado" (perfazendo uma dialética entre Humano-Bestial) (SARTRE, 1991, p. 45). "E, de fato, a linguagem do colono, quando fala do colonizado, é a linguagem da zoologia [05]" (FANON, 1991, p. 73). Nesse esteio:"Além disso, ao fabricar a ideologia do colonialismo, ao tentar estabelecer a tese da sua superioridade, que é puramente circunstancial e histórica, o colonizador desemboca inevitavelmente no racismo. Ora, em que consiste o racismo? Em converter em "natureza" o que é apenas "cultural", ou, com outras palavras, em converter o fato social em objeto metafísico, em "essência" intertemporal. Para justificar, para legitimar o domínio e a espoliação, o colonizador precisa estabelecer que o colonizado é por "natureza", ou por "essência", incapaz, preguiçoso, indolente, ingrato, desleal, desonesto, em suma, inferior" (CORBISIER, 1977, p. 9).

Superados esses traços preliminares, adentramos, agora, propriamente na temática central do texto. A obra "O Orientalismo" de Edward W. Said, foi originariamente publicada em 1978. Usando como procedimento de seleção e delimitação dos dados, Said debruçou-se sobre as ressurgentes representações do homem e da região meso-oriental na cultura [06] francesa e britânica. Para esse professor da Universidade de Columbia, o modo como apreendemos o mundo não é neutro, mas defletido por configurações psíquico-sociais e ideológico-simbólicas, desfigurando a compreensão que temos do objeto a ser manuseado nessa intervenção cognoscível-inteligível [07] (SAID, 2007). Tais "grilhões forjados pela mente" se impõem como óbices à compreensão e "desvendamento genuíno" do Outro/Oriente (SAID, 2007, p. 19). O literato palestino, ademais, lança, de antemão, um projeto delineado como o desvelar das estruturas prejudiciais de entendimento para inquiri-las e subvertê-las (MOOTZ III, 2006, p. 7).

Na obra, seminal trabalho do pós-colonialismo, o pensador palestino atesta que o "O Oriente" tal qual apresentado nas narrativas não possui constância e estabilidade, mas é socialmente fabricado. O ponto fulcral da tese de Said é a delação de que os enunciados científicos não são dotados de objetividade e, desse modo, desprovidos de visões particulares de mundo do pesquisador – ao contrário, é, com usual constância, radicada em percepções estereotipadas ou pior, tomada, de forma consciente, por interesses econômicos e sócio-ideológicos. Ademais, essas descrições do Oriente são regidas por um repertório temático que, impregnado de doutrinas de superioridade eurocêntrica e racismo, formalizam e atualizam um conjunto de visões e narrativas dogmáticas do oriental (SAID, 2007, p. 35). O Orientalismo, como prática descritiva, não é individual, resultante discursivo de um só autor, mas um coletivo de ideias e trabalhos "produzido por um número quase incontável de autores individuais (...)" (SAID, 2007, p. 35). Essas concepções etnocêntricas "produziram", no imaginário social, uma região inteira como sendo "uma paisagem árida à espera de que o poderio americano venha construir um modelo sucedâneo de ‘democracia’ de livre mercado (...)" (SAID, 2007, p. 15). Nesse sentido, em decorrência da proximidade entre os intelectuais e o poder político-econômico, o Orientalismo formatou-se como um saber para a dominação e o controle. Como saber,
"(...) o Orientalismo pode ser discutido e analisado como a instituição autorizada a lidar com o Oriente – fazendo e corroborando afirmações a seu respeito, descrevendo-o, ensinando-o, colonizando-o, governando-o: em suma, o Orientalismo como um estilo ocidental para dominar, reestruturar e ter autoridade sobre o Oriente (...)" (SAID, 2007, p. 29).

Outrossim, criou-se uma profissão (o Orientalista) para subsidiar a domesticação do objeto estudado [08]. Mas o Orientalismo e o Orientalista não podem ser compreendidos como pura operação unidirecional de criação do Oriente. A cultura e/ou relações de poder não são unilaterais, mas se retroalimentam, forjando "um conjunto de restrições e limitações do pensamento" (SAID, 2007, p. 75). Assim, Said propõe uma relação dialógica entre as condições político-subjetivas e o conhecimento orientalista "[d]izer simplesmente que o Orientalismo foi uma racionalização do regime colonial é ignorar até que ponto o regime colonial foi justificado de antemão pelo Orientalismo" (SAID, 2007, p. 72). Nesse ponto, E. Said aponta que o Estado e a Imprensa [09] atuam, insistentemente, em simbiose para o preparo da opinião pública em sintonia com os preceitos da hegemonia político-cultural.

Esses, Estado e Imprensa, contudo, não empreenderiam o êxito, sem o aporte dos intelectuais, recrutados iteradamente entre especialistas orientalistas para chancelar a sobredita apologia do existente e dar sua parcela de contribuição para a recolocação dos símbolos etnocêntricos em seu tecido cultural. Ao contrário do que pode parecer à primeira leitura, as concepções Orientalistas não prevalecem como "ideias" que "existem apenas no reino das ideias" (SAID, 2000, p. 115). O discurso e práxis do Orientalismo sempre atuaram como um método de intervenção para a conversão do "Oriente" em imagem "do Ocidente/da Europa". O Oriente é tido como um problema, a ser tolerado e suportado pelo bondoso projeto do colonizador, cuja intervenção se dá para atender os melhores interesses do bárbaro colonizado. A missão civilizatória colaciona e arregimenta argumentos justificadores das mais diversas ciências: da Teoria da Modernização à Ciência Política, do Direito Internacional às premissas do Desenvolvimento Econômico, apresentando-se como palatável e altruísta desprendimento do colonizador (SAID, 2000).

Os fatos mundiais fazem com que a obra "O Orientalismo" se atualize com indisfarçável e lamentável frequência. Os exemplos, só na última década, são muitos, como os indiscutíveis massacres no Afeganistão (2001), Iraque (2003), Líbano e Gaza (2006), Gaza (dezembro de 2008 – janeiro de 2009), ampliando de forma exponencial, o habitual descaso, desprezo e arrogância empreendidos contra o Outro. Com a persistência dessa forma discursiva depreciativa dos centros colonialistas/eurocêntricos, sempre a questionar-se "como enfraquecer e dominar o Outro?" e a manifestar-se sob a sofisticada roupagem do "Choque de Civilizações", Said ganha a força de um clássico, a continuar a ser um esquema interpretativo válido para as contemporâneas relações internacionais. Dessarte, o legado de Edward Said para as Ciências Sociais fica na forma de dois questionamentos: (1) como é possível estudar o Outro de forma não opressiva e não discriminatória? E, (2), como podemos superar a coercitiva epistemologia colonial-eurocêntrica em nossas próprias práticas sociais e científico-acadêmicas, constituindo uma vivência dos subalternos e, até então, ausentes?

Se nos debruçarmos sobre essas perquirições e, mesmo prevalecendo a tese da impossibilidade de uma epistemologia autenticamente anti-colonial, mas tendo provocado uma detida inquietação, "O Orientalismo" terá cumprido, ao menos parcialmente, o seu papel de delação dos limites mentais de nossa sociedade. Terá feito, desse modo, o suficiente para remover o véu de nossas estruturas de pensamento – preconceituosas, intolerantes – e, assim, enfraquecido o seu potencial de dominação do Outro.
Org. Rég!s
Fonte :https://jus.com.br/artigos/18477/modernidade-social-e-a-contemporaneidade-do-orientalismo

terça-feira, 7 de maio de 2019

Texto - Resumo Nazismo e Fascismo 9° Ano História

Resumo - A Ascensão do Fascismo e do Nazismo

      O período do entreguerras (1919-1939) foi a época do descrédito e da crise da sociedade liberal. Essa sociedade, agora desacreditada, havia sido forjada no século XIX, com a afirmação do capitalismo como sistema econômico "perfeito". Na segunda metade deste século, o mundo absorvia os progressos da segunda fase da Revolução Industrial cujo auge se situa entre 1870 e 1914. O imperialismo e colonialismo europeu deram aos principais países desse continente a hegemonia do mundo e, por isso, uma ótica de encarar o futuro de forma entusiástica e otimista.
Após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), pólos de poder acabaram (Alemanha, Inglaterra, França, Rússia, etc.). Na América, os Estados Unidos, com sua economia intacta, se tornaram os "banqueiros do mundo". Na Ásia, após a Revolução Meiji (1868), o Japão se industrializara se tornou imperialista e aproveitou o conflito mundial para estender seu poderio na região.


          Na descrença dessa sociedade pós-guerra, os valores liberais (liberdade individual), política, religiosa, econômica, etc. começaram a ser colocados sob suspeita por causa da impotência dos governos para fazer frente a crise econômica capitalistas que empobrecia cada vez mais exatamente o setor social que mais defendia os valores liberais: a classe média.
       Concomitantemente, as várias crises provocaram o recrudescimento dos conflitos sociais e, o mundo assiste imediatamente após a guerra, uma série de movimentos de esquerda e um fortalecimento dos sindicatos. O movimento operário já havia se cindido entre socialistas ou social-democratas (marxistas que haviam abandonado a tema de luta armada e aderiram à prática político-partidária do liberalismo) e comunistas (formados por frações que se destacaram do movimento operário seguindo os métodos bolchevistas vitoriosos na Rússia (1917). Esse dois grupos eram antagônicos.
Toda a euforia e otimismo foi substituído por um pessimismo que beirava o descontrole após a guerra. Esse pessimismo era sentido entre os intelectuais de classe média, e se manifestou principalmente no antiplarlamentarismo, no irracionalismo, no nacionalismo agressivo e na proposta de soluções violentas e ditatoriais para solucionar os problemas oriundos da crise.
         Os países mais afetados pela política social-democrata foram a Alemanha (derrotada), a Itália (mesmo vitoriosa, insatisfeita com os resultados da guerra) onde, a crise se manifestou de forma mais violenta. Nesses países o liberalismo não conseguira se enraizar. Ambos possuíam problemas nacionais latentes, por isso, a formação de grupos de extrema-direita, compostos por ex-militares, profissionais liberais, estudantes, desempregados, ex-combatentes, etc., elementos que pertenciam a uma classe média que se desqualificava socialmente e eram mais sensíveis aos temas antiliberais, nacionalistas, racistas, etc.






               Na Itália, Mussolini e na Alemanha, Hitler formavam organizações paramilitares que utilizavam a violência para dissolver comícios e manifestações operárias e socialistas, com a conivência das autoridades, que viam no apoio discreto ao fascismo um meio de esmagar o "perigo vermelho", representado por organizações de extrema-esquerda, mesmo as moderadas como os socialistas.
De início, esses grupos que eram mais ou menos marginalizados se valiam de tentativas golpistas para a tomada do poder como foi o caso do "putsh" de Munique, dado pelo Partido Nazista na Alemanha.
À medida que a crise se aprofundava e o Estado não a debelava assim como se mostrava incapaz de sufocar as agitações operárias, essas organizações fascistas e nazistas viam aumentar seus quadros de filiação partidária. Os detentores do capita passaram a financiar essas organizações de direita, vendo na ascensão delas um meio de esmagar as reivindicações da esquerda e a possibilidade de se posta em prática uma política imperialista no sentido de abertura de novos mercados. Por essa atitude dos capitalistas entende-se porque tanto Mussolini quanto Hitler chegaram ao poder por vias legais.

segunda-feira, 18 de março de 2019

GLOBALIZAÇÃO - GEOGRAFIA - 3º ANO E.M.


O mundo está cada vez menor.

Na Idade Média, cada exemplar de um livro era escrito manualmente ? havia pouquíssimos volumes, lidos por um seleto grupo de pessoas. Com a invenção da prensa, no século XVI, o número de leitores cresceu, mas ainda de forma tímida. Hoje, com o advento da informática, textos, imagens e áudio estão disponíveis a um clique do mouse. Um e-mail atravessa oceanos em segundos. E a informação chega em tempo real. "O encurtamento de distâncias e a diminuição do tempo que levamos para executar determinadas tarefas são os principais motores da globalização, um movimento apoiado em ferramentas modernas, como a comunicação via satélite e a internet", explica Francisco Carlos Teixeira, professor de História Moderna e Contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro. "Hoje podemos falar de uma cidadania global, uma nova sensação de entrar no mundo. E isso é bom e ruim."
      VÍDEO PARA ENTENDER MELHOR

Soluções e problemas 

Do lado positivo, além da troca instantânea de conteúdos e bens, há várias outras ações, nos mais diversos campos do conhecimento. "Se institutos de pesquisa dos quatro cantos do mundo trocam informações sobre as pesquisas para a cura da Aids, o custo das experiências cai muito e a probabilidade de sucesso aumenta", exemplifica Teixeira. Ao mesmo tempo, o crescimento do sistema financeiro global ? impulsionado pelo desenvolvimento das tecnologias de comunicação ? tem se mostrado perigoso. "As instituições que deveriam controlar o cumprimento das regras do comércio internacional, como a Organização Mundial do Comércio, ainda não têm poder para combater o ?vale-tudo? do mercado." Os países quebram normas pré-definidas e os mais pobres acabam prejudicados.

O que é globalização? 

A resposta para essa pergunta divide os especialistas. Para o professor Flávio Trovão, o movimento foi desencadeado no final da década de 1970, quando a então primeira-ministra inglesa Margareth Tatcher e o então presidente americano Ronald Reagan puseram seus governos para combater a crise econômica nos dois países. Empresas passaram a se instalar em nações em desenvolvimento, atrás de mão-de-obra barata, carga tributária menor e novos mercados consumidores. Com isso, o dinheiro começou a circular pelo globo, atrás do melhor lugar para se multiplicar. "O capital transnacional nasceu assim, incentivando a modernização da tecnologia e a disseminação de produtos ?made in USA?".

Outra linha teórica defende que a globalização tem mais de 400 anos. Para o professor e consultor econômico Antônio Luiz da Costa, os acontecimentos iniciados na década de 1980 só aceleraram um processo que começou a ser formado no final do século XV, quando Cristóvão Colombo e Vasco da Gama conectaram as Américas e a Ásia ao mercado europeu. "Ainda não era a mesma globalização que vivemos hoje", diz. "O mundo das bolsas de valores, das sociedades anônimas e das transnacionais nasceu em 20 de março de 1602, com a fundação da Companhia Unida das Índias Orientais. Ao juntar 65 navios de mercadores holandeses, ela tinha participação pública e privada e um objetivo claro: conquistar territórios produtores de especiarias, a base do comércio mundial no século XVII, exatamente como fazem os globalizados do século XXI."

Org. Rég!s : 
Fonte :  https://novaescola.org.br/conteudo/3302/globalizacao  

sábado, 16 de março de 2019

Brasil - História :da Monarquia à Republica - 9º Ano



                                   Proclamação da República 

O movimento republicano começou a tomar forma aos poucos, alguns setores descontentes procuravam diminuir a força de expressão do imperador, mas, isto só foi possível a partir do momento em que o governo imperial começou a dar sinais de desgaste e fragilidade, que trouxeram ao movimento uma maior adesão que culminou no fim do império e inicio da Republica do Brasil.

Durante o movimento republicano surgiram três correntes de pensamento:

Os evolucionistas: que acreditavam que em determinado momento, o império daria lugar a república sem a necessidade de maiores atitudes, pois, o império desgastado notaria sua fragilidade e cederia o poder para a forte república.

Os radicais: talvez a mais violenta das correntes de pensamento, os radicais acreditavam que a única maneira de se criar uma república no Brasil, seria por meio de um movimento revolucionário que abriria espaço para o fim do império.

Os conservadores: essa corrente de pensamento, acreditava que o melhor para o Brasil era substituir o império, por um governo republicano com características parecidas, em que o presidente detivesse o poder central, para manter a "ordem" e conduzir o país para um "progresso", boa parte dos militares se encontravam nesta corrente, que foi a responsável pelo inicio da república.

Acontecimentos que aumentaram as adesões republicanas

Foram três setores que aos poucos deixaram de apoiar o imperador e passaram a desejar sua saída do Brasil:

  1. Os escravocratas eram grandes apoiadores do Imperador, mas, com a assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel e como o imperador não anulou essa lei ao retornar de sua viagem, os setores passaram a apoiar o fim do império;
  2. Igreja do Brasil segundo a Constituição de 1824, deveria obedecer primeiramente ao imperador e depois as ordens vindas do Vaticano, isso gerava enorme descontentamento nos religiosos e esses transferiam seu desacordo ao povo, o que inflamava a discussão de que a igreja deveria seguir antes de tudo ao Vaticano, como o imperador se negava a retirar tal clausula da Constituição, o problema surgiu;
  3. Por fim, os militares passaram a criticar fortemente a despreocupação do governo com sua classe, devido ao abandono durante e após a guerra do Paraguai, o que fez muitos militares atacarem publicamente ao governo.
Surgiu então o Marechal Deodoro da Fonseca, que foi responsável por acertar com o imperador algumas medidas, para apaziguar a situação, algum tempo depois em 09 de novembro de 1889, alguns adeptos do movimentos republicano realizaram um "baile" para discutirem, como iriam finalizar a república.


No dia 11, esses adeptos se reuniram com Deodoro para solicitarem seu apoio ao movimento, de inicio o marechal se negou a ir contra seu imperador, mas, em 14 de novembro de 1889, surgiu um boato de que o então Visconde de Ouro Preto, iria decretar a prisão de diversos republicanos, inclusive Deodoro da Fonseca, foi ai que o Marechal decidiu agir.

Deodoro reuniu seus aliados, marchou até o palácio e retirou toda a aristocracia brasileira do poder, o imperador estava em viagem com sua família e ainda no caminho de retorno ao Rio de Janeiro, foi informado do fim de seu reinado e assim que chegou ao Rio foi enviado para a Europa.

Org: Rég!s
Fonte :  http://histmoleza.blogspot.com/2014/09/8-ano-proclamacao-da-republica-3.html






                   Brasil -  VÍDEO -  Da Monarquia à 

                                                    Parte I



Parte II